Os apostadores que ainda possuem recursos em plataformas de apostas online têm até as 23h59 desta segunda-feira (05) para resgatar os valores mantidos nas chamadas bets. A medida ocorre após a proibição das apostas e jogos virtuais online no país, incluindo modalidades populares como o “jogo do tigrinho”.
A partir da meia-noite de terça-feira (06), os sites e aplicativos de apostas deverão ser retirados do ar. Segundo o governo federal, quem não conseguir sacar os recursos dentro do prazo não perderá o dinheiro, já que a devolução será realizada posteriormente pelas instituições financeiras que operam com as plataformas autorizadas.
De acordo com o cronograma divulgado, entre os dias 7 e 8 de outubro, as casas de apostas deverão informar aos bancos os valores pertencentes a cada usuário, identificados pelo CPF. Em seguida, entre os dias 9 e 14 de outubro, os recursos serão devolvidos integralmente pelos bancos. Após esse período, a Caixa Econômica Federal ficará responsável por intermediar os casos em que houver algum impedimento para o ressarcimento.
Além da suspensão das apostas, o governo também determinou o bloqueio dos sites e aplicativos pelas lojas de aplicativos, provedores de internet e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Quem tentar acessar as plataformas após o bloqueio será redirecionado para uma página com orientações sobre o resgate dos valores.
PUBLICIDADE TAMBÉM SERÁ PROIBIDA
A medida atinge ainda as campanhas publicitárias do setor. As empresas têm até o fim desta segunda-feira para retirar anúncios, ações de marketing e propagandas em meios físicos e digitais. O mesmo prazo vale para marcas expostas em contratos de patrocínio.
O impacto deverá ser significativo principalmente no esporte. Apenas em 2025, as casas de apostas investiram cerca de R$ 1,1 bilhão nos principais clubes do futebol brasileiro, o equivalente a 36% das receitas de marketing dessas equipes.
COMBATE AO ENDIVIDAMENTO
A proibição das bets integra um pacote de medidas econômicas anunciado pelo governo federal com o objetivo de combater o endividamento das famílias brasileiras.
Segundo estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), as apostas online retiraram aproximadamente R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025. O levantamento aponta uma saída líquida média de R$ 4,7 bilhões por mês entre outubro de 2024 e março de 2026.
Por outro lado, entidades que representam o setor contestam os números e afirmam que o estudo ignora fatores econômicos que influenciaram o aumento das transações via PIX.
SETOR CRITICA DECISÃO
Representantes das casas de apostas afirmam que a medida poderá estimular a migração dos usuários para plataformas clandestinas e sem fiscalização.
Em nota conjunta, entidades do setor defenderam que as empresas legalizadas operavam sob autorização e regras definidas pelo governo federal, além de contarem com mecanismos de segurança como verificação de idade, validação de CPF e políticas de jogo responsável.
As associações também informaram que pretendem recorrer da decisão na Justiça e adotar medidas para tentar reverter a proibição.
CRONOGRAMA
- Até 23h59 de 5 de outubro: saque dos valores pelos usuários;
- À 0h de 6 de outubro: sites e aplicativos saem do ar;
- Dias 7 e 8 de outubro: empresas informam os saldos aos bancos;
- De 9 a 14 de outubro: devolução dos recursos pelas instituições financeiras;
- Após 14 de outubro: Caixa Econômica Federal assume a mediação dos casos pendentes.
Com informações do g1

