Empresário é condenado a 43 anos por matar policial civil do Draco em operação no Maranhão
O empresário Bruno Manoel Gomes Arcanjo foi condenado a 43 anos e 6 meses de prisão pelo homicídio qualificado do policial civil piauiense Marcelo Soares da Costa, de 42 anos, e pela tentativa de homicídio contra o delegado Laércio Evangelista, atual coordenador do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e mais dois policiais civis.
A sentença foi proferida pela Justiça do Maranhão após julgamento em Santa Luzia do Paruá, cidade onde aconteceu o crime.
A morte de Marcelo ocorreu no dia 3 de setembro, durante uma operação do Draco. O alvo da ação era o próprio Bruno Arcanjo, investigado por estelionato.
Durante a operação, ao perceber a presença da equipe policial, Bruno tentou se esconder dentro da residência e atirou contra os agentes com uma pistola 9mm, de uso restrito.
Marcelo Soares foi atingido na axila, chegou a ser socorrido, mas não resistiu ao ferimento. O delegado Laércio Evangelista e mais dois policiais também foram alvo dos disparos, mas não foram atingidos. Bruno foi preso em flagrante logo após o crime.
A ação penal tramitou na comarca de Santa Luzia do Paruá. A juíza Leoneide Delfina Barros Amorim recebeu a denúncia por homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra agentes de segurança.
O uso de arma de fogo de uso restrito e o fato de a vítima ser policial em serviço foram considerados agravantes.
Investigação

Segundo apuração da Rede Clube, Bruno, natural de Alagoas, atuou no Piauí com pelo menos duas pessoas: um primo, natural de Pernambuco, e um piauiense.
Além deles, funcionários do Detran e outros investigados teriam atuado em um esquema que envolvia a criação fictícia de automóveis por meio da emissão irregular de documentos de licenciamento. Esses veículos, apesar de nunca terem existido, eram usados para obter financiamentos em instituições financeiras, gerando lucro ilícito aos envolvidos.
A fraude só foi descoberta quando bancos identificaram inconsistências nas operações e acionaram a polícia. Em um dos episódios, uma instituição sofreu um prejuízo superior a R$ 1,6 milhão.
Quem era Marcelo Soares
Marcelo tinha 42 anos e era considerado um policial experiente. Integrava a equipe do Draco, atuou como instrutor da Academia de Polícia, e participou de operações importantes no combate ao crime organizado no Piauí.
Ele deixou esposa e uma filha de 4 anos. Após o crime, seu corpo foi transportado para Teresina por aeronave oficial, onde foi velado e sepultado sob forte comoção.
