O incêndio que atingiu o terreno da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no bairro Buenos Aires, zona Norte de Teresina (PI), na noite da última segunda-feira (8), gerou danos principalmente na fauna e na flora do ambiente.
O vídeo mostra a área atingida pelo incêndio, onde foram encontrados animais mortos após a passagem das chamas.
Segundo o chefe-geral do instituto, Anísio Ferreira Lima Neto, o incêndio provocou a perda de plantas nativas e a morte de diversos animais. Imagens registradas no local revelam parte dos danos causados pelo fogo.
De acordo com ele, ainda há focos de incêndio ativos no ambiente, mas não é possível estimar o prejuízo total. O incêndio é o maior da história da instituição.
“A nossa área aqui é de cerca de 480 hectares. Hoje, já temos uma área de aproximadamente 40 a 50 hectares atingida, entre banco de germoplasma, infraestrutura, pastagem e vegetação nativa. E isso já é muito grave”, afirmou.

ANIMAIS MORTOS
Inicialmente, o incêndio foi controlado, mas outros focos foram registrados na terça-feira (6) e quarta-feira (7). Segundo um dos integrantes da brigada de incêndio da Embrapa, Joel Duarte Miranda, o trabalho de combate ao fogo tem sido intenso desde o primeiro dia. Ele trabalha no instituto há 32 anos e, emocionado, relatou sobre os muitos estragos ocasionados pelo fogo.
“A luta é essa, eu pelo menos já registrei animais mortos, tatu, paca, sagui, iguana. É um trabalho intenso, para todo lado. As equipes se dividem para fazer realmente combater esse fogo. É doloroso, principalmente para um cara como eu, que tenho essa cultura de preservar a natureza, o meio ambiente”, declarou.
No local, urubus já sobrevoavam em busca dos cadáveres dos animais mortos.
Segundo o Corpo de Bombeiros, três viaturas de combate a incêndio auxiliaram no combate às chamas, com o apoio de todo o efetivo disponível e de caminhões-pipa do Exército.

(Foto: Reprodução/Tv Clube)
DANOS À PESQUISA
Ainda conforme o chefe-geral do instituto, para a pesquisa, o maior agravante foi o estrago causado ao banco de germoplasma que possuía árvores estudadas há mais de quatro décadas.
“O que mais agravou foi o nosso banco ativo de germoplasma de fruteiras nativas. Que são plantas, onde cada uma tem um genoma distinto e que, quando atingida, põe em risco pesquisas que são decenais. Nós temos mais de 40 anos trabalhando com o bacuri, cajá, xixá, mangaba e todas essas plantas foram atingidas”, disse.
Anísio Ferreira enfatizou ainda que a origem do fogo aconteceu de forma intencional e não criminosa. As condições do ambiente teriam permitido o agravamento da situação. “O intencional é quando você tem a intenção de colocar fogo, mas você não mensura o ambiente que tem umidade baixa, temperatura alta e vento. Isso é a receita perfeita para esse fogo perder seu controle e é o que aconteceu”, explicou.
Uma moradora da região, identificada como Teresa Cristina, afirmou que sua residência quase foi atingida pelas chamas. “A sorte é que a gente viu na hora e conseguiu apagar logo. Senão, teria queimado tudo”, afirmou.
“A gente sabe que é uma situação muito sensível, muito crítica e que precisamos do apoio de todos. Porque somente iremos solucionar se todos se derem as mãos”, finalizou Anísio Ferreira.

